A videira de Santana que era capaz de dar quase 500 litros de vinho
Há histórias que o tempo quase apaga, mas que merecem ser trazidas de novo à memória. Uma delas nasceu em Santana, onde, há mais de duas décadas, uma extraordinária videira morangueira despertava a admiração de quem tinha a sorte de a conhecer.
A notícia, publicada em 2004 no Diário de Coimbra, pelo jornalista José Santos, dava conta de uma verdadeira curiosidade santanense: um único pé de videira tinha produzido, em 2003, mais de 550 litros de vinho e, naquele ano, esperava-se que a colheita se aproximasse dos 500 litros.
Plantada cerca de 30 anos antes, a videira tinha chegado à propriedade vinda da Vinha da Rainha, oferecida por um familiar. O seu porte era tão impressionante quanto a produção: um tronco com cerca de 30 centímetros de diâmetro e dois braços que se estendiam por aproximadamente 15 metros cada.
Mais do que uma simples videira, era uma presença marcante na paisagem e na memória da família. Uma dessas preciosidades rurais que, pela sua dimensão, longevidade e extraordinária capacidade produtiva, acabam por se transformar em património afetivo de uma terra.
Na fotografia que acompanhava a notícia surgiam José Manuel Cavaleiro Silva, então presidente da Junta de Freguesia de Santana e os proprietários, Luciano Matos Parreira e Albertina Simões, orgulhosos daquela singularidade que tinham no seu próprio quintal.
Hoje, ao revisitar esta notícia de 2004, é inevitável pensar quantos santanenses terão desconhecido, na altura, a existência de uma videira tão invulgar. Talvez por isso valha ainda mais a pena recordar esta pequena grande história: a de uma cepa que, durante anos, fez de Santana um lugar onde um só pé de videira era capaz de produzir vinho para encher centenas de garrafas e que merece ficar guardada na memória coletiva da freguesia.


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