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Ano 1974 | Nova Junta de Freguesia

[ "Numa sessão pública realizada no último domingo, 16, no Largo Silva Carvalho, desta localidade, presidida por um representante das Forças Armadas, tomou posse a Comissão Provisória da Junta de Freguesia de Ferreira-a-Nova, que há-de gerir os destinos deste corpo administrativo, em substituição dos seus actuais membros directivos, até à realização das próximas eleições, possivelmente em Março de 1975.

Da mesa faziam parte o nosso prezado conterrâneo dr. Albano Gomes Gil, que apesar de jovem se vem revelando como um democrata indefectível; o dr. Cerqueira da Rocha, em representação da Comissão Administrativa da Câmara Municipal dessa cidade, de que é vice-presidente, e António Augusto Menano, representante do Movimento Democrático Português.

Os membros da nova Junta são os seguintes: presidente, José Augusto Gomes Saltão, do lugar dos Netos; secretário, Carlos Fernandes de Oliveira, de Santana; tesoureiro, Joaquim de Oliveira Ferreira, de Santana." ]


O Figueirense, edição 3979 - 22 de Junho de 1974



Esta notícia, publicada em Junho de 1974 no jornal O Figueirense, retrata um momento muito particular da história de Portugal, vivido poucas semanas após o 25 de Abril. Nessa altura, o país estava a passar de uma ditadura de quase 50 anos para um regime democrático, e muitas das instituições locais ainda não tinham sido escolhidas pelo voto livre da população.

Por esse motivo, as Juntas de Freguesia e Câmaras Municipais existentes foram temporariamente substituídas por comissões provisórias. Estas comissões não resultavam de eleições, mas sim de nomeações feitas para garantir que a administração local continuava a funcionar até que fosse possível realizar eleições democráticas. Era uma solução transitória, necessária num período de grande mudança e alguma incerteza.

A sessão pública descrita na notícia, presidida por um representante das Forças Armadas, reflecte o papel central que os militares tiveram neste período. O país era então conduzido pelo Movimento das Forças Armadas, que assumiu a responsabilidade de assegurar a transição para a democracia. A presença de um militar dava legitimidade ao acto e simbolizava o compromisso de ruptura com o regime anterior.

A referência às pessoas que integravam a mesa e à nova Junta de Freguesia mostra também a importância atribuída à credibilidade democrática dos envolvidos. Expressões como “democrata indefectível”, usadas para descrever um dos participantes, sublinham que, após décadas sem liberdade política, era essencial afirmar publicamente a adesão aos valores democráticos. A identificação dos cargos e dos lugares de residência dos novos membros reforça a ideia de proximidade à população e de representação local.

A Comissão Provisória da Junta de Freguesia de Ferreira-a-Nova tinha, assim, a missão de gerir os assuntos da freguesia apenas durante um período limitado, até à realização das primeiras eleições autárquicas livres, previstas para 1975. O objectivo não era governar a longo prazo, mas assegurar estabilidade e normalidade administrativa enquanto a democracia se organizava.

Vista hoje, esta notícia ajuda a compreender que a democracia portuguesa foi construída gradualmente. Mostra como a mudança política chegou também às pequenas localidades e como, num curto espaço de tempo, se procurou substituir estruturas herdadas da ditadura por soluções provisórias que preparassem o caminho para a participação livre dos cidadãos. É um testemunho de um período de transição em que o país aprendia, passo a passo, a governar-se em liberdade.


[Texto: Jorge Monteiro - 01 / 2026]



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