Ferrrestelo | Portal do Arqueólogo
- 22 de mai.
- 3 min de leitura
Tipo:
Necrópole (lugar designado para enterrar os mortos, que inclui práticas de inumação ou cremação, em épocas Pré / Proto-Históricas, período Romano e Alta Idade Média)
Distrito / Concelho / Freguesia:
Coimbra / Figueira da Foz / Santana
Período:
Idade do Ferro
Descrição:
O sítio do Ferrestelo (Santana/Figueira da Foz/Coimbra) corresponde a uma elevação, de forma oblonga, localizada imediatamente a nascente do sítio de Santa Olaia, do qual se encontra separado por uma depressão. A ligação entre os dois sítios far-se-ia por uma ponte. Implanta-se na margem direita do Mondego, numa zona de antiga foz do rio e, tal como o sítio de Santa Olaia, encontra-se rodeado de terrenos de aluvião, atualmente utilizados para o cultivo de arroz. Em finais do século XIX o local foi utilizado para exploração de saibro (durante cerca de 20 anos), o que permite a descoberta de uma necrópole de inumação por A. dos Santos Rocha. Em 1976 são executadas terraplanagens, pela Hidráulica do Mondego, trabalhos que foram acompanhados pela direcção do Museu Municipal Dr. Santos Rocha, sem identificar elementos de interesse. O local foi novamente alvo de afectação, em finais dos anos '70, devido a trabalhos relacionados com os planos de irrigação do Baixo-Mondego. No âmbito da construção do IP3, em 1992 - 1993, é efectuado o acompanhamento e escavações de emergência, sob a direcção de Isabel Pereira, do Museu Municipal Dr. Santos Rocha. Da necrópole de inumação, situada a cerca de 600m para nascente de Santa Olaia e identificada por Santos Rocha, na sequência da extração de saibro, apenas foi possível identificar cinco sepulturas; três foram destruídas parcialmente pelos trabalhadores, tendo Santos Rocha escavado as restantes duas, que desmontou e transportou para o Museu Municipal. Segundo as descrições daquele investigador, as sepulturas identificadas, a cerca de 0,50m de profundidade, apresentavam forma levemente trapezoidal, com três tipologias de construção: apenas com lajes de pedra, apenas com telhas ou com aparelho misto, orientadas a NO/SE. O fundo era forrado por uma laje, e as paredes laterais formadas por lajes dispostas em cutelo, sendo a cobertura constituída por várias lajes. As sepulturas menos destruídas mediam entre 1,70/1,80m de comprimento por 0,55/0,60m de largura no topo e 0,50m na base pés, e altura interna variava entre os 0,40/0,50 m. Os enterramentos, em decúbito dorsal e com os membros estendidos ao longo do corpo, apresentavam orientação NO-SE. Uma das sepulturas escavadas revelou a presença de um ossário aos pés da inumação. Nenhuma das sepulturas identificadas apresentava espólio. Santos Rocha refere ainda a existência de outras estruturas, que atribui a época medieval: um muro, paralelo e sobranceiro ao fosso, localizado a cerca de uma centena de metros de Santa Olaia, que se prolongaria até à estrada pública, onde foi cortado e a possibilidade da existência de uma rampa empedrada e de uma porta, localizada a meia encosta, voltada a Santa Olaia. Menciona ainda a existência de outros alicerces, que indicam a presença de uma construção, de dimensões consideráveis, que segundo este investigador poderia ser o castelo medieval, referido em várias fontes. Este investigador avança ainda com a possibilidade de, em época medieval, em Santa Olaia, existir apenas uma fortificação de apoio ao castelo e a necrópole. As intervenções efetuadas no âmbito da construção do IP3 permitiram identificar (no ponto da passagem superior, sobre o IP3 e a EN 111) um forno de cerâmica, parcialmente destruído. Localizava-se numa zona de vertente pouco acentuada, orientado a N-S, no sentido dos ventos dominantes. Esta construção, de planta rectangular, com cerca de 3,50m de comprimento por 2,80m de largura, encontrava-se parcialmente escavada no saibro de base. Com estrutura exterior pétrea, a boca e a fornalha foram construídas com tijolos refractários. A grelha, no interior da câmara, era suportada por arcos, em barro argamassado com materiais reaproveitados, tendo sido identificados indícios da existência de uma chaminé. Utilizada para o fabrico de telha, poderia tratar-se de uma estrutura industrial isolada de caracter familiar.
[ Portal do Arqueólogo - atualizado por I. Inácio, 06/08/19]
Meio:
Terrestre
Acesso:
IP3 / A14. Aceso pela M601 a partir da N111
Depositários:
Museu Municipal Dr. Santos Rocha, Figueira da Foz
Trabalhos:
Bibliografia:
[ Informação: Portal do Arqueólogo - https://arqueologia.patrimoniocultural.pt/ ]
![Foto: 69Joehawkins [ https://commons.wikimedia.org/ ]](https://static.wixstatic.com/media/73d17b_6ea8dfddf03548d48d3cd4128ab6f398~mv2.jpg/v1/fill/w_960,h_540,al_c,q_85,enc_avif,quality_auto/73d17b_6ea8dfddf03548d48d3cd4128ab6f398~mv2.jpg)
Obs: A imagem que acompanha este artigo é meramente ilustrativa e pode não corresponder totalmente ao conteúdo do texto.

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